Poesia em português


Aonde param as joaninhas?

Nesta página tem os seguintes poemas e mais:

-Esta é a voz dos inocentes
-Seu Sol e sua sombra quero ser
-Anja da guarda
-Rio Lis – Verão 2001
-Que as estrelas vos iluminem e guiem
-MASSACRE
-Há sempre esperança
-Gosto de ti – verão 2001
-É-se egoísta quando se ama?
-Coração
-O amor é a vida
-Amor não correspondido
-Anseio para que dances dentro de mim
-À terceira, é eterno!
-A BORBOLETA

Esta é a voz dos inocentes

Esta é a voz dos inocentes
Que à Humanidade pede compaixão e amor:
Deixem de fazer coisas indecentes,
Permitam-nos a vida por favor!

A todas aquelas que seus filhos rejeitam,
Pedimos que não os tratem como lixo –
Dêem-nos àqueles que a vida respeitam,
Pois esse comportamento é abaixo de bicho.

Quando nascemos precisamos de mamar,
E o leite materno é o nosso ideal,
Reparem bem para os animais em vosso redor
E imitem o seu comportamento “irracional”.

Não nos impinjam tantos doces e gulodices
Pois só prejudicam a nossa saúde
Ensinem-nos a gostar de fruta, legumes e hortaliças,
Eduquem-nos com afecto e virtudes.

Necessitamos de conforto e agasalho,
Mas as marcas não são essenciais –
Não passem o tempo todo no trabalho,
Pois precisamos muito dos nossos PAIS!

Pensem nos nossos pulmões imaturos
E não nos obriguem a respirar a fumaça.
Vocês que são grandes e maduros,
Façam coisas que nos caiam em graça.

Somos frágeis e delicados,
Nossos organismos estão a medrar
Dêem-nos brinquedos adequados
E não objectos que nos vão lesar.

Se realmente querem o nosso bem,
Por favor parem com o consumismo,
Poupem a pouca saúde que a Terra tem
E virem-se para o naturalismo.

Não abafem a crosta terrestre com betão,
Deixem resfolegar o nosso planeta,
Pois andam a tapar-lhe a respiração –
Por este andar não lhe restará uma só greta!

As arvores que bailavam no vento
Desaparecem como por magia
E nas verdes florestas de outrora
Reinam o cimento e a desarmonia.
Peralta


Seu Sol e sua sombra quero ser – sua ama, amiga e amante.
Para consigo poesia fazer, em qualquer lugar ou instante.
Penso em si a cada pulsação, mas nos meus sonhos quase nunca aparece,
Fracassando meu coração, que só descansa quando adormece!
Como dizer-lhe aquilo que sinto, temendo tanto que você se impaciente,
Minha vida tem sido um labirinto desde que se infiltrou na minha mente!
Gostará você de fazer sofrer as mulheres, para seu ego fortalecer?
Serão elas assim tantas como os talheres de que dispõe para comer?
Sei de duas que o querem conquistar – eu e a minha rival lá de perto do mar!
Sou de mente antiquada no que diz respeito ao amor, o que me causa imensa dor!
Até lágrimas, por si já chorei – deixando meus olhos e rosto salitrados,
Tal como as águas dos mares onde nadei, nos meus dias de juventude, já passados!
Não o consigo esquecer por muito que tente: é terrível neste impasse viver,
Sentindo este grande amor ardente que tem que ser expulso – tenho que lhe dizer!
Coragem, junta-te a mim, faz com que eu vire esta página,
Elimina minha dor – dá-lhe um fim!

Peralta





Anja da guarda

Sou tua anja da guarda, tua freira,
tua cabra, tua esquila.
É de ti que gosto – à minha maneira.
Meus sentimentos são de argila!
Por ti rezo da Terça à Segunda-feira –
assim, ando mais tranquila,
mas prefiro manter-me à tua beira!
Meus sentimentos são de argila!
Quero o teu calor a vida inteira,
a tua energia – que em mim cintila!
É de ti que gosto – à minha maneira.
Dás-me colares de pérolas, ramos de cila,
viagens ao Céu – sou tua freira!
Peralta



Rio Lis – Verão 2001

“Passei o nosso Lis formoso e claro,
Fiz-me em terras estranhas peregrino.”
Foi cá que encontrei paz e amparo,
Ouvindo de perto o santo sino.


Foi na rua da Fé que me refugiei,
Num belo recanto que eu adoro.
Que foi a Vila Realça, já eu sei,
Pois é mesmo lá que moro!


De ruínas estou rodeada,
E com verdura em abundância.
Há sempre passarinhos na chilreada,
Coisas de muita importância.


Todos os dias desço ao rio,
Mirar sua beleza lá da ponte.
Só tenho palavras de elogio,
Não há ninguém a quem não conte!


Com seus patinhos sempre a boiar,
Ai que cena tão pacifica.
Outras vezes, garotos a brincar,
Água do rio és magnífica!


As lavadeiras são uma constante,
Mas pelo ambiente não receiam.
É desperdiçar detergente em flagrante,
E os preocupados, que não leiam!


Esteve este Inverno cheio demais,
Com terras encharcadas em seu redor.
Tudo isto devido aos longos pluviais,
Mas noutras bandas foi bastante pior!


Vamos cuidando desta nossa riqueza,
Pois nada neste mundo é eterno!
Acarinhamos toda a bela natureza,
Se queremos salvar o Homem moderno!


Ó rio Lis, aorta da nossa terra,
Permanece em todo o teu esplendor.
Vai-nos trazendo as águas lá da serra,
Fornece-nos de teu sangue e amor!

Peralta





Que as estrelas vos iluminem e guiem,
Em cada momento de escuridão e melancolia.
Que vossos corações sempre se animem,
Com a união da família, e sua alegria.
Peralta

A Casa da Nora, linda e exemplar,
Mantém sua presença imponente!
Sempre me faz deslumbrar,
Jamais me deixaria indiferente

MASSACRE

Foi naquele dia de Primavera,

Quando pela Quinta da Barreta passei:

Que grande surpresa eu tivera,

Com a beleza que avistei!


Era imponente e majestosa,

De um verde esmeraldino,

Que planta maravilhosa,

Cheia de vigor e tino!


Encostada ao primeiro degrau,

Ali vivia em harmonia;

Tivesse tempo bom, ou mau,

Ela para todos sorria!


Estudei-a com admiração,

Até pensei trazê-la comigo,

Mas por pena, e precaução,

Permaneceu no seu jazigo!



Logo na semana seguinte,

A realidade cruel, enfrentei:

No seu usual requinte,

A bela salsa não encontrei!



Murcha, e despedaçada,

Estava sua rama no chão!

Fiquei quase paralisada,

Ao detectar tal traição!


Quais os motivos p’ra tal desgraça?

Poderia ela arrombar o edifício?

Ou seria, a simples fracassa,

De quem destrói, só por vício?


Estas ofertas da Natureza,

São para o bem do ser humano:

Que com tanta avareza,

A si próprio, causa grande dano!


Uma planta com tantas virtudes,

Nutritivas, e medicinais:

Precisamos mudar nossas atitudes,

Porque breve, será tarde demais!


Porque não aproveitar,

O que é são, e natural?

Será melhor ir comprar,

O que é quase artificial?

Peralta





p.3 Coração - Peralta




Ó vida porque passas tão de repente?
Tem calma e vai devagar,
Deixa amadurecer e viver tua gente
Porque lá no céu já há pouco lugar!

Queremos ver, sentir e provar
Todas as maravilhas da nossa Terra
Por isso, deixa-nos, ouvir e escutar
P'ra ver se a gente não erra!

É certo que não somos fieis
A este bem precioso - "a vida",
Exageramos e abusamos de todas as leis,
E depois lá se vai, toda perdida!

O ser "Homem" mexe e modifica
Tudo aquilo que lhe convém
E depois se glorifica
De todo o bem material que já tem!





O amor é a vida

O amor é o sentimento essência da vida –
Sem ele, simplesmente se existe –
Na sua presença a alegria é mais colorida,
Até o desiludido vai ponderando, mas não desiste!

A beleza das arvores bailando no vento
E de suas folhas sussurrando ao mesmo ritmo,
São provas de amor para o ser atento,
Que as recordará tempo infinito.

Todos os bichos que na terra existem
Pelo amor andam dirigidos,
Cumprem sua missão, e só desistem
Quando pelo homem são destruídos.

Pensai na joaninha que tão útil é,
Foi abundante em tempos remotos –
Grande ajudante do agricultor Ti Zé,
Mas agora só a vemos em fotos.

E que desamor a nossa Joaninha viveu,
Que da sua família foi grande vitima,
Assim como tanto outro inocente que já pereceu
Nas mãos de seus progenitores – sorte maldita!

Se o homem amasse mais a bela Natureza,
Seria mil vezes recompensado,
Com preciosidades mais valiosas que qualquer riqueza,
E acima de tudo, sentir-se-ia abençoado.

O Sol do dia que nos abrilhanta
É o sorriso dos Céus para todos nós,
Seu calor nossas almas encanta,
Até os solitários se sentem menos sós.

A vida é o amor e o amor é a vida –
Sempre foi, e assim continuará,
Mas o homem é que anda à deriva,
E simplesmente nunca se contentará.

Peralta

Livro humedecido pelas águas salgadas dos mares,
De mãos doces carece para suas folhas desfolhar/virar.
Estes livros existem em todos os lugares,
Necessitam somente dum suave toque e dum meigo olhar!



Amar
E sabei que segundo o amor tiverdes
Tereis o entendimento de meus versos
Pois sem este sentimento só perdes
Mesmo se pertences ao mundo dos espertos.

O amor é algo de puro e nobre,
A melhor emoção que o homem pode possuir,
Tanto afecta o rico como o pobre,
E quem o sente, dele não pode fugir.

A mãe que seu filho ama,
Fá-lo sem por nada esperar,
Dando-lhe todos os cuidados e mama,
Para que um dia ele venha a amar.

Amar sem ser amado
Pode até ser doloroso,
Mas quem ama com cuidado
Terá um saber maravilhoso.










Há sempre esperança

Dum casamento desastroso,
Há dois anos me libertei!
Tanto tempo doloroso,
Dezanove anos lá deixei!

A recompensa, foi dois filhos,
E a esperança de melhores dias.
As experiências são nossos trilhos,
Para atingir novas alegrias!

Adoro profundamente a natureza,
E tudo o que dela deriva.
Perturba-me a avareza,
A vida é p'ra ser vivida!

Sou tímida, compreensiva,
Respeitadora e educada!
Não aprecio gente agressiva,
E a violência, nem por nada!

Pobrezinha, mas culta,
Vou lutando dia a dia.
Tenho pensar de adulta,
E prospero na harmonia!

Sempre muito activa,
Ando inúmeros quilometros a pé!
A Natureza é minha Diva,
Assim como uma grande Fé!

Espero vir a conhecer,
Gente das mesmas leis!
Temos que dar p'ra receber,
E precisamos ser fiéis!








Gosto de ti – verão 2001

Gosto da tua pessoa,
Da tua maneira de ser,
Gosto de gente boa,
Virtude que pareces ter.


Das pedras, à vegetação,
Literatura e história.
Será teu coração,
À medida de tua memória?

Conhecer-te melhor,
É algo, em que penso.
Não sou criança menor,
Nem caco denso!

Espero que te aproximes,
E senão, paciência!
Como tão bem te exprimes,
Podes ter grande exigência!


Sem tacto p’rá sedução,
Por ti vou esperando,
Vivendo na ilusão,
Que te vou namorando!

Dizes ser livre e independente,
Já te confessei minha timidez.
Tu que és tão sensato e inteligente,
Será mesmo que não vez!

Cá recebi tua meia boneca,
Que acho parecida comigo.
Já lhe dei o nome, Maqueca,
E amanhã visto-a até ao umbigo.

Algumas semanas já lá vão,
E eu cada vez mais atingida.
Estás infiltrado no meu coração:
Grande interferência na minha vida!

Estrelas nos teus olhos já eu vi.
Mas não sei se as imaginei.
Até estremeço ao passar por ti,
Na realidade, nem sei, se sei!

Gosto do teu toque doce e suave,
Que me faz vibrar intensamente.
Do meu coração, já tens a chave,
Nunca sais da minha mente!!

Serás tu um Don Juan disfarçado?
Ou, um verdadeiro cavalheiro!
Quero-te ter sempre a meu lado,
Estar contigo o dia inteiro!

Terás tu um harém disperso?
Visto que com tantas damas lidas.
Cá no nosso grande universo,
De tantas mulheres desiludidas.

Que ingenuidade será a minha?
Falava constantemente em altos louros,
E encontro-me nesta ladainha,
Devido a homem que me dá pelos ombros!

Foi na madrugada do 20 de Setembro,
Quando tua alma me visitou.
Dum sonho vívido e real me lembro:
Teu corpo, com o meu se encontrou!

Lembras-te daqueles cinco minutos?
Tanta delicia e intensidade!
Melhor que qualquer um dos frutos,
À disposição da Humanidade.

Neste sonho te confidenciei,
Gostar imensamente de ti.
Agora, também já sei,
Que sentes o mesmo por mim!

Acordei, perplexa e realizada,
Pois há tanto que espero por ti!
Nenhum sonho me deixou tão fascinada,
Como este, que contigo vivi!

Espero pelo próximo enlace,
O desejo apodera-se de mim.
Preciso de quem me ame e abrace,
Pois p’ra viver, é preciso fazer assim!

Sete dias sem te ver, é penoso demais!
Porque não foste ao café?
Estarias de volta de teus materiais?
Eu lá fui, cheia de esperança e fé!

Grande desilusão pr’a meu coração!
Onde estavas tu “le petit”?
Costumas lá ir buscar o pão,
Mas este fim-de-semana não te vi!

Um mês inteiro






22-06-2004
Gostaria que gostasses um pouco de mim,
Queria que fosse sempre assim.
Adoraria adornar o teu jardim –
Adoçar a tua vida com o meu jasmim,
Purificar a tua alma com o meu alecrim,
Abraçar-te como uma manta de cetim
E mostrar-te um sorriso de marfim!
Sim, sim, sim queria que fosses o meu selim!
Por fim, até te daria o meu rim!








É-se egoísta quando se ama,
E quem não ama que nome tem?
Coitado de quem se trama,
Por querer amar alguém!
São coisas que acontecem
Às pessoas mais emotivas,
São sempre elas que padecem
As magoas grandes e vivas!
Amar sem receber
É historia dolorosa,
O amador tem que sofrer




Coração


Meu coração porque estás triste?

Será de solidão que padeces?

Ou talvez porque alguém não insiste,

Em dar-te aquilo que mereces!


Olha sempre p’rás belas estrelas,

Que o Céu tem p’ra te guiar.

Alegria sentirás ao vê-las,

E ao admirares a magia do luar!


Coração não te desoles,

Que um dia serás abençoado.

Virá a pessoa de boa índole,

Nunca mais serás atraiçoado.


Que sonho tão fabuloso,

O de sua alma gémea encontrar.

Coração não sejas guloso,

Pois podes-te enganar!


Engana-te lá à vontade,

Assim é que se descobre.

Não fiques na soledade,

Que nada tem de nobre.




Agarra-te bem e sem demora,

O tempo passa a correr.

Quem não é amado só chora,

Parecendo estar sempre a chover!


Passam as noites e os dias,

O sol, a chuva, o frio e o vento.

Faltam só as alegrias,

De amar alguém por fora e por dentro!



Todo o ser encontrará,

Um dia seu grande amor.

E a vida que Deus lhes dará,

Será imune à dor!


Essa dor devastadora,

Que arruína qualquer um!

Nunca será, nem fora

Amiga do homem comum!


Combatê-la é Vitória,

E a Vitória traz sucesso.

Em seguida vem a glória,

Com seu tremendo presto!


Tantos complexos, porquê?

Vida complicada pela timidez,

Será que tem olhos e não vê?

Que se vive uma só vez!


Ó coração magoado e entristecido,

Tua alma gémea encontrarás!

Não fiques assim, tão desiludido,

Pois, momentos de alegria viverás!


Olhos tristes, coração sufocado,

É o que sinto com tua ausência.

Até o olhar se torna amarelado,

Altera-se toda a minha aparência!


Há seres que nunca aprendem,

A não pensar com o coração.

Esses mesmos, são os que tendem,

A cair na armadilha da paixão!


Quem assim é, nunca muda,

Pois as tendências permanecem,

Mas a dor é de tal maneira aguda,

Até que as emoções esmorecem!


Sinto-me inconsolável por não te ver,

Tua presença ilumina minha alma:

Encandeia todo o meu ser

Provendo-me de serenidade e calma!

Peralta –






Apaixonei-me loucamente por ti – delirei!
Usufrui do teu corpo – adorei!
Levaste-me ao Céu – orgasmei!
Pus-te no pedestal – já o desmantelei!
Exigiste o secretismo – tolerei!
Bati à porta desse teu coração fechado,
Não entrei – esperei, esperei, esperei!
Puseste-me em penúltimo lugar – aceitei!
Não pudeste visitar-me – masturbei-me!
Os meus sentimentos são genuínos e profundos – eu sei!
Tens tempo p’ra tudo e p’ra todos – fico ao lado!
Estás farto de mim e desinteressado? – Cismei.
Queres variedade como a maioria dos teus congéneres? – Perguntei.
Será que gostas um pouquinho de mim? – Sonhei.
Também gosto de estar contigo! – Declarei.
Ah, mas esta história é repetida – não mudei!
Camenta




15-01-2004

Anseio para que dances dentro de mim,
Ao ritmo da poesia,
Ao som de uma melodia,
E sempre em Paz e Harmonia!
Peralta


À terceira, é eterno!

Confesso que sou perita em paixões não retribuídas -.grande tristeza na minha vida! O meu único consolo é saber que a terceira é para auferir a conquista. Não falarei das duas primeiras, pois o passado é para guardar na gaveta, ou melhor ainda, enterrar!
Gostei dele a primeira vez que o vi e o ouvi falar! Não foi a sua beleza física que me atraiu, embora ele seja engraçado, mas sim a sua maneira de ser. Já passaram uns anitos desde esta minha primeira observação, mas nunca o esqueci! Lá o via de vez em quando, sempre muito simpático e bem educado, eu até pensava ser ele a minha alma gémea!
As virtudes dele que mais me aliciam são a sua grande inteligência e sabedoria, simplicidade, a ausência de vaidade, e especialmente o facto de ele ser sempre muito educado. A minha intuição diz-me que a maioria das mulheres que o conhecem andam doidinhas por ele. Espero bem estar enganada, pois quero-o só para mim – sou muito egoísta! Já lá vai quase um ano que ando apaixonada, mas sem nunca ter tido a coragem para abordar o assunto, visto que sou prisioneira da timidez! Tenho lhe dado alguns palpites, mas ficando sempre a saber o mesmo. De vez em quando surgem situações em que me sinto completamente mal porque não sei se são fruto do puro acaso, ou se é o meu amado que pede auxilio a pessoas amigas para se poder desembaraçar de mim!
Escrevo-lhe cartas jamais entregues, a contar-lhe os meus sentimentos: cá vou andando paralisada pelo receio da rejeição e também pensado que tal atitude, da minha parte, poderá destruir a nossa amizade. Para mim esta relação como amigos é sagrada, embora fosse muito mais saborosa incorporando-lhe o “pecado carnal”!
O que me vale são alguns dos sonhos super realísticos em que me tenho aproveitado do seu corpinho, sentindo todo o calor do seu ser físico e espiritual, assim como acariciando os seus lábios com os meus e deliciando-me com a sua boca saborosa. Adoro sonhar que faço amor com ele!
Penso frequentemente em perguntar à sua mãe se ela acha que vale a pena eu “gostar demais” do seu menino, mas o terror da ridicularização apodera-se sempre de mim.
Cada vez que o vejo ilumina-se a minha lanterna interior: todo o meu ser expande, os pulmões enchem-se de ar, o coração bate mais forte, a face cora-me, as ideias vagueiam entre os complexos derivados da timidez e a alegria de ver aquela pessoa tão especial, sinto-me regozijada! No entanto, se estiver num local com outras pessoas quando avisto o meu amado, fico praticamente paralisada, embora sinta toda a euforia interna, o meu exterior só revela nervosismo e mau estar. Só consigo relaxar consumindo um pouquinho de álcool – não sou alcoólica, mas em situações sociais onde conheço mal os presentes, necessito de uma pequena ajuda!
Já vi nele coisas desagradáveis, tal como chupar os dentes na minha presença, o facto de parecer um esquilo a comer (mas sem aquele olhar circunferencial e nervoso), também é dono de um grande egoísmo – até me parece que não quer ser amado para não ter que amar! Mesmo assim não consigo libertar a minha mente e coração, estando sempre ansiosa para o ver ou ouvir.
Quero viver esta minha paixão ao máximo, mas como fazê-lo sem saber se há interesse do outro lado? Como revelar as minhas emoções e sentimentos sabendo que corro o risco arrasador da rejeição? Será preferível viver nesta dúvida eterna, sem poder virar a página? O bom senso diz-me que não! Como arranjar a coragem para dar este paço crucial na minha vida? Ó homem que eu amo, andas a causar-me grande desgaste emocional!!
Peralta




A BORBOLETA

Nasce a borboleta do casulo,

Para seu novo mundo explorar!

Voando sob o lindo céu azul,

Parece com ele namorar!


Sempre ágil e graciosa,

Observa tudo em seu redor.

Voa lá, criatura gloriosa,

No meu mundo, és a melhor!


Do branco, às cores mais exóticas,

Exibe a todos, sua beleza.

Dançando como damas eróticas,

Para nos animar, com certeza!


Sempre tão bela a borboleta,

Com suas artes e manhas,

Quase percorre todo o planeta,

Enganas-te, se pensas que a apanhas!

Peralta